quarta-feira, 19 de julho de 2017

Caminhando nos pés de grávida

A todas as pessoas que amaldiçoam este tempo nublado em pleno julho eu peço que pensem em todas as grávidas de 3º trimestre (eu), que não fariam ideia de como iriam conseguir ir trabalhar se o tempo não tivesse arrefecido (depois do meu desespero de segunda-feira, estou quase convencida que este tempo veio de encomenda para mim).

quarta-feira, 17 de maio de 2017

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Universos paralelos

Estávamos nós à espera do barco em São Jorge para ir para o Pico (Açores), descansados depois de dias a lavar a vista com verde e vacas, enquanto a menina do rent-a-car mostrava à amiga muito entusiasmada as suas fotografias da viagem a Lisboa: Colombo e Dolce Vita.

Animal Lovers

Há tanto para se dizer, mas só me apetece escrever isto: se as pessoas se passam, porque é que quando um animal se passa, é sempre uma questão de educação?

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Entre a fome e a vontade de comer

Desta história todas das vacinas, concluo que os portugueses continuam a adorar crucificações em praça pública e que os jornais o sabem muito bem.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Prioridades

Não tenho usado a minha prioridade em filas e tenho a sorte de vir sempre sentada no comboio, por isso nunca tenho que pedir que alguém se levante (e vão sempre rabinhos não grávidos sentados nos lugares prioritários do comboio). Mas já um horário de trabalho reduzido ajudava-me bastante a não me arrastar pelas semanas...

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Ainda no forno

E já temos tantos planos para o nosso/a filh@. Como por exemplo, que goste de correr pela casa, de preferência aos saltinhos e desde que acorde até que se deite.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Putas e vinho verde

O senhor holandês não está esquecido que tem uma Red Light District e a afirmação também não significa que ele não goste de beber. O que ele quer dizer, é que dependendo nós de caridade alheia (mais precisamente daquela que nos é gentilmente cedida pelo norte da europa), só podemos almejar na vida trabalhar mais por menos. Que isto não faz sentido sei eu, mas ficarmos perdidos no significado de cada palavra também não ajuda.

A conversa

Expliquei que estou grávida a dois miúdos de 10 anos institucionalizados, e o espanto e excitação deles foi tal, que por segundos pensei que era aquele o momento em que lhes ia ter de lhes explicar por onde é que o bebé saía.

Alerta vermelho

Estar grávida é ter a nossa gravidez discutida em reuniões de equipa como se fosse um sismo com data marcada.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Pretty woman


"(...) Compreende-se que a preocupação da aparência física possa tornar-se para a rapariga uma verdadeira obsessão; princesa ou pastora, é preciso sempre ser bonita para conquistar o amor e a felicidade; a fealdade associa-se, cruelmente, à maldade, e, quando as desgraças desabam sobre as feias, não se sabe muito bem se são crimes ou se a sua fealdade que o destino pune".

Simone de Beauvoir
(Segundo Sexo)

quinta-feira, 16 de março de 2017

How I met your mother

No outro dia, no comboio, iam à minha frente duas adolescentes, com as suas pastinhas e mochilas, com todo o ar de quem acabou um dia normal de aulas na faculdade. A típica conversa entre amigas, as intrigas de ex namoros, do diz que disse, quem respondeu à mensagem, não respondeu, "devias ver a foto que pôs no facebook", "amanhã vou fazer assim e assado e vai ver só", etc. A única originalidade, é que falavam de gajas. E toma, aí está, 2017 e a homosexualidade vivida da forma mais natural que se possa imaginar, e eu até me fico a sentir estúpida de ter um nome para diferenciar isto, porque nem nome devia ter.

E a meio de todo o drama que é o romance adolescente, liga uma das mães. E eu viajei no tempo e imaginei, em que mundo viverei eu daqui a 18 anos, com a minha cabeça anos 80? Socorro.

terça-feira, 14 de março de 2017

O grande plano

A pergunta mais estranha que as pessoas me fazem é se foi planeado. Não me ofende, mas há algo de caricato numa pergunta tão privada feita por pessoas não tão próximas assim.

Apesar de eu própria não ter sido nada planeada, mas muito desejada, acredito que a maternidade planeada (ou a sua recusa), é uma conquista maravilhosa por parte das mulheres. No entanto, esta parece-me uma pergunta com rasteira, mas ainda não percebi bem onde. O que é que as pessoas esperam dizer, se eu disser que não planeei? Que foi tudo um erro, que estou em pânico? Que vou encher-me com um ano de pílula, e engoli-la com chá de canela e gengibre a ver se vai lá?

segunda-feira, 6 de março de 2017

A conspiração toxo-plásmico-cósmica

Numa entrevista, perguntaram à Elis Regina o motivo pelo qual ela achava que a canção Romaria tinha tido tanto sucesso. Ela riu-se com a sua típica gargalhada e respondeu que nós damos o tiro, mas quem mata é Deus. Desde que decidi engravidar, essa expressão nunca me saiu da cabeça. Pôr uma intenção, dependia de mim, mas se nascia uma criança dessa intenção, já me ultrapassava.

É importante manter isto em mente, se uma pessoa não quiser enlouquecer com a culpa de num momento de descontração pôr tudo a perder. Desde a primeira consulta, a obstetra explica as mil e uma formas com as quais vamos construir a nossa redoma de grávida: a toxoplasmose que nunca apanhámos a comer carnes mal passadas e a dormir com gatos, vai ser agora; aquela doença que nos põe a arder em febre, e que não temos há anos, vai ser agora; toda a fruta e salada que comemos em restaurantes e que nunca nos transmitiu nada, vai ser agora.

Não me posso cansar, o corpo está a mudar; não posso estar muito tempo sem comer, o bebé não gosta de quebras de açúcar; mas doces também não, olha a diabetes gestacional; não posso pôr qualquer creme, cuidado com os químicos no primeiro trimestre; nada de marisco, sushi e absolutamente, nada, nada, nada de morangos. E os fóruns e páginas sobre maternidade são infinitamente piores que qualquer médica ou enfermeira. Se uma pessoa se fiar em tudo o que lê, fica com a sensação de ser o centro do Universo, mas no pior sentido possível: o Universo está muito concentrado nesta tarefa de nos tramar.

E depois lembrei-me daquele livro: Os Bebés de Auschwitz. As três mães, que nunca se conheceram, engravidaram no início do pior momento das suas vidas. Por mero acaso foram-lhes dadas roupas muito largas quando entraram no campo de concentração e conseguiram esconder toda a gravidez dos funcionários alemães e das rondas do Mengele; passaram por um stress indescritível; fome à beira do suportável; extremo esforço físico (estavam em campos de trabalho); dividiram camas e dormitórios com pessoas doentes e por vezes à beira da morte; e por fim mas não menos importante, estavam a meio de uma guerra, longe do seu País, sem casa, sem família (sem pai da criança) e sem fazer ideia como a história delas e de meia Europa ia acabar. No entanto, sobreviveram a isto tudo e ainda entraram em trabalho de parto - nas condições de higiene menos aconselháveis e nas situações mais caricatas (uma pariu num carrinho de mão enquanto estava a ser levada de um campo para outro) - precisamente na semana em que a guerra acabava e os alemães estavam mais preocupados em fugir do que matar grávidas. Tinham que nascer, não é?

quinta-feira, 2 de março de 2017

Silêncio grávido ou da grávida

Há uma expressão inglesa muito curiosa, que é o silêncio grávido. É aquele silêncio cheio, tão cheio e pesado que ninguém consegue abrir a boca. Uma pausa, entre digerir o que foi dito ou o que aconteceu, e receber o que vem a seguir.

Tive aulas com um terapeuta de grupo cuja capacidade de permanecer em silêncio, durante as sessões mais bizarras de grupo, era anedótica. Quando finalmente o conheci pessoalmente já conhecia há muito a lenda. Percebi então que o seu silêncio não era despreocupado ou passivo, mas profundamente sábio e também um acto de fé: absoluta fé na capacidade natural das pessoas se relacionarem e irem acertando agulhas. Só interferia em casos extremos, quando achava que as pessoas estavam a fugir da análise. Na maioria do tempo permanecia calado e observador, com aquele ar "eu sei o que estás a fazer". Ou então não era ar nenhum, mas era eu que imaginava, também no meu silêncio grávido.

Eu pensava que estava preparada para o silêncio, até estar grávida. Manter o segredo da gravidez durante 3 meses não me foi natural ou fácil, ao contrário do que seria expectável na minha pessoa pessimista e reservada. Achei o silêncio castrador e anti-natura. Uma experiência esquizofrénica, forçando-me a viver em duas realidades paralelas, uma das quais só era real para mim e mais umas outras poucas pessoas, enquanto vivia e trabalhava noutra.

O silêncio dos três meses deve ser mais uma daquelas invenções modernas, uma forma asséptica de (não) lidarmos com a realidade de não controlarmos nada, uma forma estéril de não nos desiludirmos. Mas a vida tem uma infinidade de formas de nos magoar tramando-nos as expectativas, mesmo quando nos esforçamos por acreditar que não temos nenhumas.

Para os pais (homens) é demasiado fácil: no início é só uma ideia e é tão fácil não pensar nela. Para as mães, é diferente. Desde o início, nada fica na mesma: o que se come, o que se bebe, as consultas-exames-análises a marcar, os enjoos, a resistência física que começa a transformar-se na subida que se faz todos os dias, até a porra dos cremes, das tintas, dos vernizes: tudo relembra, em vários momentos do dia, que já é mais do que uma ideia. Independentemente do destino da gravidez, ela já é. E não é o silêncio que a anula.