quinta-feira, 9 de julho de 2015

Human, All Too Human



Há uns tempos vi um vídeo que um pai tinha feito sobre o primeiro ano de vida do filho, um bebé prematuro. A imagem do bebé a ser posto em cima da mãe é de uma fragilidade angustiante. E no entanto o bebé cresceu e um ano depois festejava o aniversário lambuzado em bolo de anos. O vídeo era um agradecimento à equipa médica do hospital e um elogio à mulher que tinha aguentado aquilo estoicamente.

Só os seres humanos investiriam tanto tempo e tanta energia para salvar um bebé. Um bebé de uma mãe perfeitamente saudável que poderia ter tido outro no mês seguinte. Um animal faria isso. Defensores do "quanto mais conheço as pessoas mais gosto de animais", parecem nunca ter isto em conta. Os animais matam filhos quando se sentem ameaçados, os animais deixam os filhos doentes e deficientes para trás à sua sorte. Animais e as pessoas que se passam dos carretos, o que se calhar vai dar ao mesmo. Os animais são maus? Não creio. Acho essa frase uma ofensa aos animais e já agora, às pessoas. Deixemos os animais com a sabedoria selvagem que têm, e deixemo-nos a nós a carregar este fardo da moralidade e da culpa. A capacidade de sonhar, empatizar, amar é demasiado humana. Eu acho isso admirável. Mas vem com um preço.

Uma amiga perdeu o bebé. Não consigo deixar de pensar na enorme barriga que ela tinha e imaginá-la a voltar para casa de mãos e barriga vazia. A perda é atroz. Ela é uma mulher perfeitamente saudável que poderá ter engravidar ainda este ano. Isso faz diferença? Não. Aquele bebé que nunca existiu nunca deixará de ter a sua existência. A partir do momento em que foi sonhado por alguém nunca mais deixará de existir. Isso é admirável. Mas é um preço tão alto. Já dizia o Lennon: a vida é o que acontece enquanto estamos ocupados a fazer outros planos. Os animais levam vantagem: não fazem planos, não criam expectativas. Não sentem culpa por aquilo que não controlam. Não choram bebés que ainda não nasceram.

5 comentários:

  1. Respostas
    1. Mas as mulheres são do caraças e dão a volta a tudo ;)

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  2. Houve um episodio de clinica privada (acho q é assim o nome da serie) em que uma delas dava à luz um bebe anencefalico para poder doar todos os orgaos possiveis a outros ja que aquele nao teria nunca uma "vida". Algures nos dialogos uma das medicas diz "custa-me saber que ela foi mãe e nunca terá o seu bebe consigo e a outra nunca carregou nenhum e o tem em casa para dar-lhe amor" (algo assim do genero ja nao me lembro bem)
    Marcou-me tanto.

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    1. Eu não sei se a série se baseou nesse, mas houve um caso real há muito pouco tempo, no Reino unido. Os pais sabiam, decidiram levar a gravidez até ao fim. Queriam baptiza lo quando nascesse e trataram de tudo previamente para que todos os órgãos fossem doados. É preciso muita coragem.

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    2. Este comentário foi removido pelo autor.

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